A espera que toma conta do meu ser me faz pequena.
Olho o tempo e me questiono nele
Questões sem respostas
Espera sem chegada
Despedida sem um abraço
Ela acontece nessa solidão que invade a minha existência
Despedida do que ainda não vi
Despedida daquele que não beijei
Despedida do tempo que ainda não veio
É a despedida futura desse presente que não vivo
Cama desfeita
Quarto silencioso
Mesa vazia
Meu corpo te olha de saída
Fecho a porta
E me jogo na estrada antiga
Escura é ela, meus passos seguem lentamente
Em busca de algo que me permita a despedida verdadeira
Me despeço,
Desse quadro que reflete a leveza do estar
Dessa atmosfera que não existe para além dele
Dos traços felizes que sobressaem dessas imagens fictícias
Me despeço do irreal
Da arte que engana o meu espírito
E novamente me jogo na estrada antiga e escura
E nela me despeço dessa sensação de desprazer.
Danielle Soares
Coimbra, 17 de junho de 2009
* Inspirada pelos estudos filosóficos e pela atmosfera acadêmica de Coimbra.
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