A impressão que tenho é que os dias estão impacientes e passam numa fração de segundos. Eu tento olhar para eles e reconhecê-los, mas eles voam como se nada importasse a minha existência.
Neles eu caminho numa calma que talvez os ofenda e neles me sinto tão pequena...
Acontecimentos acontecem, pessoas se aborrecem e neles nada perece
O bem e o mal se cruzam e conversam como dois velhos amigos
O bem diz ao mal, quão é terrível o interior dos homens
O mal responde: - Coloque-os a prova e compreenderá o quanto é vazio o riso dos seus!
Pobreza, fome e violência. Corpo subnutrido e Espírito reprimível...
Maldade que atravessa a natureza humana de tal modo que já não é possível reconhecer a retidão dos seres.
A luta pela sobrevivência é posta a mesa
A luta de braços deixou de ser uma brincadeira da infância e tomou lugar na minha insônia.
E nas longas horas que passo na escuridão do meu quarto esperando que o sono me assalte, coloco a prova a minha humanidade diante de tanta falta de sentido naquilo que vejo, sinto e ouço nos dias que passam tão velozes...
E ali, naquele silêncio enlouquecedor ofereço-me aos raios que sobraram dos dias como se eles pudessem me retirar desse incômodo pensamento de que os humanos apodrecem...
Danielle Soares
Porto, 17 de Dezembro de 2009
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