domingo, 11 de março de 2012

LUZ


No silêncio do quarto
uma chama quase gasta.


Estou eu e ela.
Escuridão amarelada
da vela pálida.

Observo-a.
Aproximam-se pensamentos
e a vela está a um dedo
de desaparecer.


Venero-a de modo
ainda possessivo,
pois o fim que a espera
é o do prazer de um
dever cumprido.



Vela ardente,
companheira nas noites frias e
conselheira poética de uma imagem
que não escrevi.


Adormecida,
agradeço à beleza
do seu reflexo em mim...


Danielle Soares

Porto, 31 de Janeiro de 2012

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Camélias


                                                                                                                               















                                                        Para Neiza Teixeira

Flores

Inverno molhado,
flores.
Rosas e fortes.
Vivas folhas verdejantes no cinza.
Flores dela.
Lembro do tempo que por elas passava e acenava um gesto de ciao.
Retrato da felicidade – Rosto e mãos no tempo.
Surpreendia-lhe a beleza da natureza.
Questionava o Belo.

Hoje, as mesmas flores saltam aos meus olhos e admirando-as
respiro o cheiro dela, sinto-a diante de mim, debruço-me em seu colo
e recebo os seus carinhos.

A chuva que banha as camélias,
secam-me em lágrimas de saudade.

Observo.

O vento as lança de um lado para o outro
e imersa nesta imagem me vou embalando,
ouvindo cantigas de ninar do tempo de criança.
É a sua voz que se aproxima.
É o tempo falando em mim.
Imagem que transcende.
São as camélias que no inverno bailam,
Respondendo ao gesto de ciao dela.
A esperança dorme em mim.

Danielle Soares
Porto, iniciado em 07/12/ 2010 e finalizado em 04/12/2011.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quando eu te encontrar



Prender-te-ei em meus abraços
fatigados de esperar.

Quantos serão os desabafos
e os soluços após um trago?

Segredos contados.
Vinho derramado.

Vem, aproxima-te
do canto berrante
do poeta galopante,
vagabundo dissonante.

Sou, meu amor.

Mulher da tez morena,
dos lábios vermelhos,
que esconde no peito
desassossegos.

Envolto ao teu ardor
proclamo os versos
que doam prazer à dor.

Vem ao relento e
espalhando os lençóis,
deixa cantar os rouxinóis.  

Momentos a sós. 

Mulher da tez morena,
diz qual é a graça
em fazer do poeta
este mendigo e sonhador?

Ó meu amor.

Danielle Soares
Porto, 25 de Outubro de 2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Dia de ser só.

Em passos leves piso a dor
Contendo o choro, trago o desamor.
Com o corpo desfalecido
Canto em Dó maior
A visão que tenho de um futuro só

Só saudade, só liberdade.
A sós, só ...
Para onde olho vejo-me só!

Manaus, 20 de Maio de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011



É noite,
Noite curta e dourada,
preenchida por uma solidificação desesperada.
É noite,
Noite curta que se prolonga na claridade que escapa dos meus olhos enraizados
Nessa espera absurda do nada.
É curta a noite mas em mim ela dura,
Dura a espera ansiosa pelo amado
Dura como um dia cinza, chuvoso e frio.
Essa noite curta, dura o tempo do pensamento,
Que não é mensurável.

Holanda, 2010.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quando eu crescer quero poder conhecer a lua minguante
Para quando eu voltar a ser pequena, eu possa dormir serena...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O meu íntimo de tão íntimo engana
Meu pensamento de tão secreto esmorece
Viro do avesso e tudo permanece como
Essa neve que vejo derretendo,
Desafazendo-se em água que corre para o esgoto

Quiça o porto onde tudo isso vai parar
Quantos serão os corpos que há de banhar
E quantas serão as frases ditas, sentidas e pensadas
Em sua direção...

Quanta confusão acontece hoje em mim...

Danielle Soares
Porto, 02 de Fevereiro de 2010

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Fidelidade Feminina

Corro ao teu encontro, anulando desassossegos, frases de apego, lenços manchados do baton ulterior, cheiro do leito que acabaste de deixar, um fio de cabelo que nao me deixa enganar. Nada disso importa pois é a tua boca que tenho sede de beijar.

Danielle Soares

Porto, 10 de Janeiro de 2011

sexta-feira, 19 de novembro de 2010



Cinzento, molhado
Encharcado
Usurpador e calado
É o tempo
Chorado e icógnito é o seu sabor

Folhas caídas
Árvores são galhos solitários
Luz apagada
Olhos sem cor
Palavras soltas e tremidas
Mãos frias
Beijo selado
É o tempo visto em pedaços
Recorro ao aquecedor...

Enxergo o calendário
Mal começou Novembro
E já se aproxima Dezembro
Dias vazios outros preenchidos
Assim mais um ano se vai
Despedindo-se em águas geladas
Num nevoeiro que encobre tudo o que é exagero.
                                    
Outono invernal
Temporal
Crise existencial
Corto o laço umbilical
Despeço-me do tempo
E lamento o trago que fiquei por fazer
Antes de chegar Novembro...

Danielle Soares
Porto 19 de Novembro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Rompimento

Glimmen - Nederland Inverno 2009/10

Eu não quero isso, de verdade, não quero.
Eu não quero aquilo, de longe, não quero.
Também não quero aquele e nem o que vem depois dele.
Tampouco quero a projeção do que vem a seguir a isso que chamo "querer".

E se tudo o que não quero se fizesse concreto?
E se todos esses medos em querer chegasse, juntamente com esse vento que vem de tão longe?
E se o meu querer diexasse de lado o "não" e abraçasse como irmão a verdade que me cega?
E se nesse exato momento eu deixasse de saber o que realmente quero?
E se me faltassem as reflexões, o raciocínio e o fascínio por isso a que chamo pensamento?
E se o nada que hoje tenho passasse a ser tudo o que hei de ter no futuro?
E se as palavras diluíssem assim como o algodão doce que tantas vezes saboreei nos meus tempos de criança?
E se a energia que me habita decidisse pisar outros seres?
E se eu, não mais desejosa, quisesse ir embora, para qualquer outro lugar que me fizesse estranha aos olhos dos meus?

Quantos não quereres tornam-se quereres na minha total confusão de ser o que hoje sou...

Danielle Soares
Porto, 06 de Outubro de 2010