Corro ao teu encontro, anulando desassossegos, frases de apego, lenços manchados do baton ulterior, cheiro do leito que acabaste de deixar, um fio de cabelo que nao me deixa enganar. Nada disso importa pois é a tua boca que tenho sede de beijar.
Danielle Soares
Porto, 10 de Janeiro de 2011
O ser não é senão memória... Não sou somente este corpo que agora escreve,sou a mente pela qual penso,reflito,sinto,sonho e rememoro o meu minuto agora já passado. Dessa forma vou me concretizando no tempo e no espaço...
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Cinzento, molhado
Encharcado Usurpador e calado
É o tempo
Chorado e icógnito é o seu sabor
Folhas caídas
Árvores são galhos solitários
Luz apagada
Olhos sem cor
Palavras soltas e tremidas
Mãos frias
Beijo selado
É o tempo visto em pedaços
Recorro ao aquecedor...
Enxergo o calendário
Mal começou Novembro
E já se aproxima Dezembro
Dias vazios outros preenchidos
Assim mais um ano se vai
Despedindo-se em águas geladas
Num nevoeiro que encobre tudo o que é exagero.
Outono invernal
Temporal
Crise existencial
Corto o laço umbilical
Despeço-me do tempo
E lamento o trago que fiquei por fazer
Antes de chegar Novembro...
Danielle Soares
Porto 19 de Novembro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Rompimento
Glimmen - Nederland Inverno 2009/10
Eu não quero isso, de verdade, não quero.
Eu não quero aquilo, de longe, não quero.
Também não quero aquele e nem o que vem depois dele.
Tampouco quero a projeção do que vem a seguir a isso que chamo "querer".
E se tudo o que não quero se fizesse concreto?
E se todos esses medos em querer chegasse, juntamente com esse vento que vem de tão longe?
E se o meu querer diexasse de lado o "não" e abraçasse como irmão a verdade que me cega?
E se nesse exato momento eu deixasse de saber o que realmente quero?
E se me faltassem as reflexões, o raciocínio e o fascínio por isso a que chamo pensamento?
E se o nada que hoje tenho passasse a ser tudo o que hei de ter no futuro?
E se as palavras diluíssem assim como o algodão doce que tantas vezes saboreei nos meus tempos de criança?
E se a energia que me habita decidisse pisar outros seres?
E se eu, não mais desejosa, quisesse ir embora, para qualquer outro lugar que me fizesse estranha aos olhos dos meus?
Quantos não quereres tornam-se quereres na minha total confusão de ser o que hoje sou...
Danielle Soares
Porto, 06 de Outubro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
O lamento do Poeta
Hoje acordei poeta, com medo de sentir dor
Ontem dormi com a alma de artista, criando em sonhos estórias distantes
Hoje sou poeta e grito em silêncio o sentido do meu existir
Essa luta entre o que sou hoje e o que fui ontem
Incita-me a querer a revolução do meu ser
Virar do avesso os meus princípios
Pôr pra fora o que longe de mim continua
Falar as frases que nunca organizei nas idéias
Descobrir as vidas que sigo pelas sombras
Ouvir palavras sem sentido e rir com elas
Abraçar o inimigo
Matar o íntimo
Dormi e sonhei ser gente grande
E hoje acordei esse poeta medroso que corre da vida traçando versos...
Danielle Soares
Porto, 24 de Setembro de 2010
Ontem dormi com a alma de artista, criando em sonhos estórias distantes
Hoje sou poeta e grito em silêncio o sentido do meu existir
Essa luta entre o que sou hoje e o que fui ontem
Incita-me a querer a revolução do meu ser
Virar do avesso os meus princípios
Pôr pra fora o que longe de mim continua
Falar as frases que nunca organizei nas idéias
Descobrir as vidas que sigo pelas sombras
Ouvir palavras sem sentido e rir com elas
Abraçar o inimigo
Matar o íntimo
Dormi e sonhei ser gente grande
E hoje acordei esse poeta medroso que corre da vida traçando versos...
Danielle Soares
Porto, 24 de Setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O retrato
Espinho - Portugal 07/2010
Há quanto tempo deixamos de pisar as mesmas ruas
Quantos foram os momentos que sozinhos presenciamos
O pôr-do-sol da praia dos prazeres
E quando cansados, quantas foram as vezes que adormecemos colados um ao outro
E quando despertos, perdi as contas de quantos foram os pedidos de permanência...
De quantos "em quantos" tivemos momentos
De momentos em momentos inventamos histórias deliciosas
De memórias em memórias criamos saudades
E quantos "eu" deixei escapar para que eu pudesse te sentir refugiado em mim!?!
Danielle Soares
Porto, 15 de Setembro de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Mulher da tez morena
Qual será o dia em que irei te encontrar
Quando poderei te ter nos meus abraços cansados de te esperar
Quantos serão os nossos desabafos?
Ah, quanta é a vontade de te amar...
Chega de planejar o dia que virá
E corre para o meu canto desesperado
Que conta os dias que passa sem te avistar
Mulher da tez morena, dos lábios vermelhos
que guarda os segredos que quero saborear
Vem sem medo e desfaz o meu leito...
Invade o meu peito e murmura os teus anseios,
e prolonga essa noite iluminada pela lua
que não cansa de te admirar
Ah mulher do corpo desenhado
pelas mãos de um deus que brincando
te inspirou de vida para que eu pudesse te adorar...
Ah mulher da tez morena
Que me faz poeta e sonhador nessa espera que supera a própria dor...
Danielle Soares
Porto, 29 de Agosto de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Falta qualquer coisa, qualquer coisa falta Mas o que é essa coisa?
Será que é realmente de uma coisa que sinto falta?
Não seria melhor denominar essa coisa?
Não seria mais justo procurar definir cada coisa que sinto falta?
Nessa altura faltam-me as palavras, os termos justos para suprir a falta dessa coisa que ainda me falta...
Posso supor que essa coisa é uma flor, uma pessoa, um lugar, um sabor, um sonho ou simplesmente uma felicidade que escapou...
Essa falta parece ser exatamente daquilo que não conheço ou daquele que nunca vi.
Falta é ausência, é afirmar que há uma lacuna que deve ser ainda preenchida, assemelha-se a um buraco numa rua movimentada que deve ainda ser recomposto, mas que nem por isso, essa mesma rua deixa de ser utilizada, cumprindo assim o seu fim.
Esperar na janela, diante do espelho, sentada num banco após um longo passeio...
A falta vive de uma esperança, de uma certeza que se funda numa total escuridão, ela resiste a ela mesma porque ao suprir a si mesma ela regressa ao seu princípio, que é o de permanecer na melancolia de que qualquer coisa ainda falta.
Porto, 26 de Julho de 2010
Danielle Soares
Será que é realmente de uma coisa que sinto falta?
Não seria melhor denominar essa coisa?
Não seria mais justo procurar definir cada coisa que sinto falta?
Nessa altura faltam-me as palavras, os termos justos para suprir a falta dessa coisa que ainda me falta...
Posso supor que essa coisa é uma flor, uma pessoa, um lugar, um sabor, um sonho ou simplesmente uma felicidade que escapou...
Essa falta parece ser exatamente daquilo que não conheço ou daquele que nunca vi.
Falta é ausência, é afirmar que há uma lacuna que deve ser ainda preenchida, assemelha-se a um buraco numa rua movimentada que deve ainda ser recomposto, mas que nem por isso, essa mesma rua deixa de ser utilizada, cumprindo assim o seu fim.
Esperar na janela, diante do espelho, sentada num banco após um longo passeio...
A falta vive de uma esperança, de uma certeza que se funda numa total escuridão, ela resiste a ela mesma porque ao suprir a si mesma ela regressa ao seu princípio, que é o de permanecer na melancolia de que qualquer coisa ainda falta.
Porto, 26 de Julho de 2010
Danielle Soares
segunda-feira, 19 de julho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
E Tudo Sei de Ti
* Seguindo um sonho, uma paixão e uma ousadia...Durante alguns dias na companhia de um violão e relembrando um pouco do que fiquei das minhas aulas de música na infância, escrevi esse poema que se fez música em mim...A admiração pela escrita e pela música faz-me ambiciosa diante da possibilidade de criar...
Eu te olho quando nem fazes idéia
Te observo quando ninguém olha pra ti
A todo o momento estás sob o meu olhar
E tudo faço sem que me percebas
E quando chegas me dizendo qualquer coisa
Ouço e finjo surpresa
Mas a verdade é que estás na minha anima
E tudo sei de ti
E tudo sei de ti
E tudo faço de forma que não me percebas
Para que não destruas as minhas fundadas incertezas
E tudo sei de ti
E tudo sei de ti
Acompanho o balanço do teu andar
Me delicio com o teu sorriso, sem compromisso
E durmo ouvindo a tua música tocar
E desperto com o teu olhar...
E tudo sei de ti
E tudo faço sem que me percebas
E quando chegas me dizendo qualquer coisa
Ouço e finjo surpresa.
E tudo sei de ti
E tudo sei de ti
E tudo sei de ti
E tudo sei de ti
Holanda, 23 de Abril de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
José Saramago
Os que te admiram passam esse dia com um peso inconsolável e imesurável da dor...
Parece-me estranho pensar que já não estás, e saber que já não chegas é o pior que posso pensar.
Uma vez vi-te de longe, numa das feiras de livros realizadas nessa cidade do Porto, dizias palavras, eras tão sereno...Conhecia-te não da mesma forma que te conheço hoje, saí daquele espaço cheio de gente, curiosa por saber o por que daquele enamoramento que despertavas no outro e em mim. A partir de então, passei a ser uma leitora fiel, curiosa e desejosa de descobrir as tuas estórias; passei a devorar as páginas dos teus livros da mesma forma que muitas vezes sou devorada pela ansiedade.
A tua próximidade passou a ser uma constante em mim e hoje digo e repito quantas vezes forem necessárias, SOU ÍNTIMA DE TI ... Por isso choro essa tua partida mesmo que eu não acredite que nesse exato momento deixaste de estar.
Resta-me ler as tuas obras, sentir as tuas estórias, cheirar as terras pelas quais passas, conhecer pessoas com as quais estabeleces um diálogo e pensar que és extraordinário...Foi e continua sendo esse o pensamento que preservo para ti.
Quantas vezes não exclamei sozinha: - Como quero ser igual a essa pessoa!
Deixas no meu ser a certeza da tua grandiosidade como homem e como escritor e por não saber mais o que escrever a ti digo apenas que continuarás existindo em mim, na mesma intensidade de quando abrir pela primeira vez "Deste Mundo e do Outro".
Descansa em paz José Saramago
16/11/1922 - +18/06/2010
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