Deixem-me ir...
Descobrir o que invade os meus olhos e tomam, imediatamente, conta dos meus sentidos e que preenchem os meus sentimentos vazios.
Deixem-me partir...
Sim, me deixem ir...
Sentir a nostalgia que só sente aquele que parte; aquela nostalgia que nasce a cada segundo quando se aproxima a hora do adeus.
Deixem-me ir...
Desvendar os segredos guardados pelos meus entes já enterrados, segredos soterrados, que se escondem nas profundezas apavorantes da natureza não-tocada.
Sim, me deixem ir...
Deixem que os meus comandos não sejam mais do que os meus pés descalços e desgarrados de todos os laços feitos por mim.
Deixem-me ir...
Enxergar a beleza solitária de tudo o que é exterior a mim... Deixem-me sentir o gosto da liberdade, que enobrece o espírito inquieto.
Deixem-me partir...
Sim, me deixem ir...
Como uma Bem-Aventurada, seguirei os ritmos que toquem o meu ser;
Levarei comigo a mochila pesada de um passado cheio de boas histórias: histórias minhas, aquelas que vivi inteiramente comigo e aquelas que compartilhei com os que cruzaram a minha vida.
Pessoas, lugares, situações, abraços, beijos ou um simples aperto de mãos...
Palavras, olhares, risos, soluços e a simplicidade da inspiração...
Levarei comigo a saudade!
Deixem-me ir...Mas permitam que eu leve comigo a Memória: Memória de mim - a Memória que me confirma viva.
Deixem-me partir...
Conhecer ruas, montes e avenidas.
Mas uma coisa prometo: quando cansada, voltarei para mim, sentada à beira do rio ou de frente para a imensidão envolvente do mar, iniciarei uma nova viagem, uma viagem unicamente dentro de mim e, quando saudosa, tudo voltará. Mas espero que já não seja a mesma, que neste momento escreve estas letras carregadas de desejos de partir.
Deixem-me ir...
Sim, me deixem voar, correr, andar até ao limite, que se inicia a cada passo dado.
Deixem-me...
Vou...Viajar...
Conhecer, descobrir, mergulhar, captar...
Deixem-me...
Me entregar ao estado constante da ignorância; ao vento que invade o meu corpo e vértebras, até que eu reconheça o invisível.
Deixem-me
Viajar...
Me colocar num mundo inabitado e me espantar com o óbvio.
Deixem-me...
Sentir...
A alegria dos Eleitos
A capacidade dos Magos
A descoberta dos navegantes...
Sim, me deixem Ser
Me deixem viver
Deixem-me sobreviver
Deixem-me não morrer...
Sim, deixem-me eterna!!!
Danielle Soares,
Porto, 14 de março de 2008.
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