Avanço nas minhas crenças
Reconheço a sua solidão
E me detenho em suas mãos.
O relógio antigo solidifica o tempo
E as suas palavras proclamam Deus.
Ambiciono a fuga.
A minha e a sua fuga...
Quero doar a você a liberdade de um pássaro.
Mas você prefere a prisão,
A prisão que não é só sua, mas de milhões.
Quero fugir,
Agora, preciso fugir...
Você me agarra e me estabiliza
Estou no chão
Enxergo sobre mim o teto sem manchas e longiquo
Abro os braços replicando Cristo na cruz
Sofro em silêncio.
Olho em sua direção e inicio a compreender a sua dor
A tristeza mergulha no seu corpo
E você busca conforto nas suas palavras que te aproximam de Deus.
Eu ignoro, nada ouço
Permaneço jogada no chão
Com os olhos molhados e os pensamentos despertos
Corpo estabilizado e cansado
Tento sair mas você me paralisa
E o chão permanece meu irmão.
Ouço os seus sussurros:
-É o fim...Fim dos tempos...
Sinto medo dessa proximidade com o nada
Messiânicamente você grita:
-Ele está prestes a chegar!
-Se prepare, é o fim!
Quero fugir e mais uma vez ignoro a sua loucura.
Tudo deixou de ter sentido
Já não há razão.
Como criança faminta você grita
E cada vez mais sou invadida pelo medo e desespero
Intacta e paralisada molho a minha face
Com um choro ansioso por consolo.
Lembro você ainda louco
E ainda preso
E inicio por compreender o desassossego.
Aquele que invade mente e corpo
Que anula o antes, nada existe antes dele.
E por isso precisa cuspir o agora
E vomita a sua doença.
Vomita em excesso
Me causando a estúpida sensação
De que tudo em você é vácuo.
Um saco vazio...
Depois daquele vômito
O louco se tornou um saco de pano vazio.
Danielle Soares
Porto, iniciado a 19/08 e finalizado a 27 de agosto de 2008
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