Gustav Klint
I
O amor que me prende em olhos fechados de segredos
É esse amor que me joga num leito inteiro
É um amor que me consome num deleito
É um amor solitário
Porque vivo com a certeza de não tê-lo
É esse o meu amor…
Uma espera…
Como uma taça que espera ser preenchida pelo mais saboroso de todos os vinhos;
Como um casal de jovens enamorados que fazem juras de amor num futuro ainda incerto.
O meu amor é espera
E a minha vida é de igual modo um contar dos minutos sem fim.
O meu amor se esconde num vazio ainda guardado em mim
Mas o que é a vida senão esperança?
Esperamos que os frutos amadureçam,
Que os nossos filhos se tornem grandes
Que a bondade possa superar a maldade
Que a conquista se reflita na justiça
E que o amor não se vá para longe demais…
Bastam as feridas, as guerras e os desamores
Quero um olhar, um sorriso e um estender de mãos,
Um amigo que me deixe seguir sem medo e que guarde os meus mais íntimos segredos…
II
O amor é o compasso do descompasso
É a ligeira sensação de que tudo é sinônimo de felicidade
É o conhecimento ilusório de uma certeza fantástica
É o frio que se sente na alma quando se avista o amado
É o beijar longo e demorado
É a abertura de sonhos múltiplos e diversificados
É um nó de línguas ainda amanhecidas
É um olhar que ainda não se fez visto
É o respirar mais do que profundo
É a certeza de que nos unimos no outro
É a vaga ideia de que permaneceremos eternos
Embriagados em mundos apolineos com Dionísio a beber os seus melhores vinhos…
Danielle Soares
Iniciados a 28 de Novembro de 2008 em Glimmen – Holanda e corrigidos no dia 16 de Outubro de 2009 Porto.

2 comentários:
A inspiração em excesso das ambrósias Dionisácas não me iram permitir ter a verve que gostaria para comentar decentemente o teu texto/poema.
A espera dum leito qual taça que se espera preenchido, cheio, porque não a transbordar...?
A espera de um sentimento meio indefinido e, acima de tudo, contraditório...
Um compasso descompassado que se deseja; um beijo longo que nos parece tão curto, que de tão curto quase não existe - porque o desejado não é o próprio beijo mas a sua eternidade; o peito que se inflama e inspira até explodir de ânsias incontidas; os olhos que se olham fechados por a ser demasiado intenso olhá-los abertos...; O leito vazio ou cheio de nada - pouco importa; a procura que nada almeja mas tudo espera...
Tudo, tudo isso é um estado que cientistas vão conseguindo estudar de forma fria e racional - como convém à ciência - mas que na prática nada alteram à desesperada poética do Amor ou da Paixão.
Deves conhecer um poema já mais que massificado e difundido, mas nunca ultrapassado do nosso (português, brasileiro, espanhol, ucrâniano, chinês, japonês, africano, antártico, até norte coriano) Luís Vaz de Camões (1524-1580):
[" Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?"]
Apenas fiz este breve comentário porque gostei do que deixaste gravado no blog enquanto andava a fazer uma pesquisa de imagens sobre Klint
Se quiseres responder solta as tuas palavras para - zpm777@gmail.com
Faz-me um grande favor e não penses que procuro qualquer tipo de conversação fácil. Aliás, só posso atribuir o facto de estar a deixar-te o meu contacto de mail ao estado alcoolizado em que me encontro.
O que vejo é uma passagem poética, uma inspiração conseguida de forma extraordinária, parabéns!
Que Dionisio continue atuando nos seres sensíveis e que enquanto houver vida, haja essa disponibilidade para encará-la de um modo ainda mais intenso e revigorante...
Um brinde aos grandes e que continuemos a aprender com eles.
Obrigada pelo que deixaste no blog.
Tenciono melhorar cada vez mais a escrita, por isso, desculpe qualquer saída de órbita :-)
Até a próxima visita.
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