sábado, 17 de outubro de 2009

Um brinde ao amor



Gustav Klint

I
O amor que me prende em olhos fechados de segredos
É esse amor que me joga num leito inteiro
É um amor que me consome num deleito

É um amor solitário
Porque vivo com a certeza de não tê-lo

É esse o meu amor…
Uma espera…

Como uma taça que espera ser preenchida pelo mais saboroso de todos os vinhos;
Como um casal de jovens enamorados que fazem juras de amor num futuro ainda incerto.

O meu amor é espera
E a minha vida é de igual modo um contar dos minutos sem fim.
O meu amor se esconde num vazio ainda guardado em mim

Mas o que é a vida senão esperança?

Esperamos que os frutos amadureçam,
Que os nossos filhos se tornem grandes
Que a bondade possa superar a maldade
Que a conquista se reflita na justiça
E que o amor não se vá para longe demais…

Bastam as feridas, as guerras e os desamores
Quero um olhar, um sorriso e um estender de mãos,
Um amigo que me deixe seguir sem medo e que guarde os meus mais íntimos segredos…

II

O amor é o compasso do descompasso
É a ligeira sensação de que tudo é sinônimo de felicidade
É o conhecimento ilusório de uma certeza fantástica
É o frio que se sente na alma quando se avista o amado
É o beijar longo e demorado
É a abertura de sonhos múltiplos e diversificados
É um nó de línguas ainda amanhecidas
É um olhar que ainda não se fez visto
É o respirar mais do que profundo
É a certeza de que nos unimos no outro
É a vaga ideia de que permaneceremos eternos
Embriagados em mundos apolineos com Dionísio a beber os seus melhores vinhos…

Danielle Soares

Iniciados a 28 de Novembro de 2008 em Glimmen – Holanda e corrigidos no dia 16 de Outubro de 2009 Porto.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Aos que vivem ou viveram a melancolia de uma saudade...


        Ilha de Vlieland - Holanda, Maio 2009


A partida corrói e abafa os prazeres vividos,
Dá luz à dor da saudade.
Dor sofrida
Dor amiga - Mulher/Menina...É feminina
É sensível, como a rosa que colhia nos meus tempos de menina;
Misteriosa, como o profundo esconderijo que em mim mora;
É provisória, como o pensamento que já me abandonou agora...
É uma partida feminina!
E não se desespere, quando ela regressar querendo ir embora...

Danielle Soares
Porto, 14 de outubro de 2009




sábado, 10 de outubro de 2009


                                                                              Dedico a minha mãe Neiza Teixeira, amor de alma...

Imortalizando esse céu em mim, imortalizo-a.
Transcendendo o meu espírito na tua beleza, reconheço o infinito...
Podem me roubar tudo e até o que ainda não tenho, mas não roubem essa presença no Universo.
Não retirem da minha existência a fortaleza do meu ser.
É a ti, somente a ti que dedico a minha inspiração de um dia chegar a ser realmente um ser.

Danille Soares
Porto, 10 de outubro de 2009

Uma memória



A espera pelo desconhecido é imensa, para não dizer, infinita - Sentada a beira desse mar brando sinto o desejo de me doar ao barco que aparenta leve e impotente diante dessa imensidão cinza e fria. Observo os pássaros que se aproveitam dessa lentidão sossegada. Do meu canto, grito calada essa paisagem que me assalta os sentimentos da partida...
Foi lá, naquela ilha escondida de tudo, que me reconheci fugitiva, até daquilo que não me pertencia.

Danielle Soares
Porto, 10 de outubro de 2009

* Homenagem a Ilha de Vlieland - Holanda

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O que ainda resta

Henri Matisse

Dentro de mim sinto um vazio imenso, que toma conta de todos os meus atos.
Não sei o que chamar a isso!
Será saudade, tristeza, insatisfação, descrença, desespero, ou será a simples constatação de que ele está partindo aos poucos para distante de mim?
Uma raiva estranha me acompanha, é estranha porque é de mim que sinto esta raiva.
Não sinto raiva do tempo, porque foi nele que configuramos os nossos planos, não sinto raiva dos lugares que admirei ao teu lado porque me entreguei a cada paisagem e respirei com o ar da liberdade as particularidades de cada um deles, não posso sentir raiva das pessoas que testemunharam a nossa história, que vibravam em cada descoberta que compartilhávamos com elas, não posso sentir raiva dos teus e dos meus costumes e, tampouco, posso sentir raiva dos cuidados que prestamos um ao outro.
E como seria covarde se sentisse raiva da vida ao ponto de me negar a ela!
Mas que culpa ele tem se eu fui a única disponível a apostar num sentimento que me dominava da raiz dos cabelos a ponta dos pés? E, será justo julgar as nossas atitudes, quando embalados pelo envolvimento?
A história deve continuar, fora do passado e dos pensamentos que me assaltam.

Danielle Soares

Porto, 30 de setembro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Por aí e nem aí

Salvador Dali

Um dia quando me vi grande me concebi inteira nas minhas fraquezas
Desejei um dia mais longo e a noite mais curta, para poder mostrar aos presentes, a fortaleza daquela que foi um dia a garota frágil que todos queriam proteger.
Manhã azul, onde os pássaros leves e libertos bailavam no imenso céu claro, eu os observava e me recordo que o desejo de ser um deles me assaltava de forma que quando dei por mim girava no lugar onde estava e sorria e cantava e expressava a todos a minha total liberdade...
Acompanhando os pássaros me fiz forte e sem barreiras.
Dançava em terra, quando de repente, um estrondo roubou a minha cena, e só conseguia me ver jogada naquela rua suja, as pessoas se aproximavam com a intenção de ajudar e eu gritava ainda:
Logo agora que me vi livre!!!
Ali, exatamente no momento da mais exuberante e verdadeira força, qualquer coisa me aniquilou inteira.

Danielle Soares
Porto, 25 de setembro de 2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Que falta de concentração e inspiração é essa que toma conta de mim?

Eita mania de querer se sentir só!

De deitar numa cama imensa e olhar o teto branco cheio de memórias

Recordar um olhar desinibido

Uma certeza de enxergar a partir do umbigo

A necessidade de exprimir o meu gemido

Camuflado na minha desesperada idéia
De que para escrever basta estar viva!

Danielle Soares
valença, 22 de julho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sonho

Essa noite eu tive um sonho, um sonho pacificador e que me causou lágrimas de saudades
Sonhei com o meu avô paterno, uma pessoa que não tive muito contato ou proximidade.
Morto está ele.
Nesse sonho estávamos eu e meu irmão Daniel
Acho que estávamos no céu
Não, estávamos num lugar claro, e tenho a sensação que estávamos apenas no início para se atingir o fim da matéria.
Nas gramas altas e finas se aproximava um senhor, que caminhava lentamente e meus olhos se enchiam de lágrimas de dor
Ele se aproximava e reconhecíamos
Era o nosso avô
Ele vinha exatamente igual a última vez que o vi, sempre bem composto.
Ele vinha sorrindo e nos olhava de passagem
E meu irmão não desviava o olhar do que acontecia ali
Era o nosso avô que parecia retornar para nos guardar
Eu chorava e ele nos olhava sorrindo
Era um sorriso eterno e de saudades
Talvez da sensação de estar vivo
Talvez do poder de estar com os vivos.
Ele passou ao nosso lado, nos olhou e seguiu sem dizer uma palavra
Ele desapareceu naquela infinita paisagem clara e de paz.
Acordei com saudades
Saudades do avô que mais não tenho que uma breve memória
Saudades do meu irmão que vem acompanhada de uma preocupação
Esse sonho me deixou extremamente perto daquilo que já se foi
Acordada pedi proteção, porque não posso mentir que esse sonho me causou medo
De um amanhã que desconheço.
Descansa em paz - O que disse quando tomei consciência de que o meu avô já não existe mais.

Coimbra, 24 de Junho de 2009
Uma homenagem ao meu avô paterno, Paulo Marques Soares.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Desespero na despedida

A espera que toma conta do meu ser me faz pequena.
Olho o tempo e me questiono nele
Questões sem respostas
Espera sem chegada
Despedida sem um abraço
Ela acontece nessa solidão que invade a minha existência

Despedida do que ainda não vi
Despedida daquele que não beijei
Despedida do tempo que ainda não veio
É a despedida futura desse presente que não vivo

Cama desfeita
Quarto silencioso
Mesa vazia
Meu corpo te olha de saída
Fecho a porta
E me jogo na estrada antiga
Escura é ela, meus passos seguem lentamente
Em busca de algo que me permita a despedida verdadeira

Me despeço,
Desse quadro que reflete a leveza do estar
Dessa atmosfera que não existe para além dele
Dos traços felizes que sobressaem dessas imagens fictícias

Me despeço do irreal
Da arte que engana o meu espírito
E novamente me jogo na estrada antiga e escura
E nela me despeço dessa sensação de desprazer.

Danielle Soares
Coimbra, 17 de junho de 2009

* Inspirada pelos estudos filosóficos e pela atmosfera acadêmica de Coimbra.

sábado, 6 de junho de 2009

Essa palavra que surge agora diante de mim,
É a palavra que naturalmente vem de dentro de mim.
Essas frases que leio as absorvo como quem absorve o prazer de um dia inteiro na praia
Dia quente, mar azul e gente do mundo inteiro
Habitam hoje, neste instante no qual escrevo, em mim
Praia imensa, areia branca, fina e fugidia
Biquinis pequenos, grandes,coloridos e sem cor
Secos e molhados
Toalhas estendidas nessa areia que sinto o desejo de tocar
Mas nada posso,
Ela fez-se e se desfez
E desse lugar onde me encontro sinto o sol forte no meu corpo
Me fazendo viva nessa realidade que foge para longe de mim.
É como esse garoto que corre na praia, grita, pula, cai e se levanta
Assim ele conquista o mundo e a mim
Me faz sentir um incontrolável desejo de poder agir
Com essa naturalidade leve que ele deixa sobressair
Garoto de praia, pés descalços e pele morena
Me faz criança outra vez
E me deixa viver na tua vez

Danielle Soares
Valença, 06 de junho de 2009