terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Racionalizando o amor

Dedico a todos os que possuem a capacidade de amar

Amor

Preso nos olhos
dos que irradiam segredos.
Que imperam no leito.

Espera ansiosa.
Como a taça que
será do vinho.

Como um casal
que faz juras de amor
em um futuro
incerto e distante.

A embriaguez
que faz viva
a espera em ser
o que não se
saber ser só.


Danielle Soares
Glimmen, 23 de dezembro de 2008

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008


Dedico aos meus irmãos gêmeos,Paulo e Daniel que ontem(18/12)cumpriram mais uma primavera.Amo meus irmãos...

Paraliso o tempo. Rememoro um ato deixado debaixo de uma coberta rasgada.
Lá continua quente e a frieza de um dia inquieto permanece.
As palavras chegam e, inconscientemente, vão ao vento.
Por quê seguir ouvindo-as?
Para se erguer na paisagem sombria que se prolonga na inconstância de ser.
Pobres palavras negadas, evaporadas e amargas... Palavras.
Fragilidade arremessada.
Forte fragilidade que devora a alma doente; que como uma pluma conduz por becos.
Na escuridão de um mundo egoísta, se é embebida

Saboreiam a pobre mulher esquecida no tempo!

Na cegueira visível
silêncio.


Danielle Soares
19/12/08

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A fantasia de ser vazia é minha.
Os meus desejos são vãos
E a tua boca está nua.

O sonho é nosso
A lua nos pertence
O leito é teu
E nele sou tua.

É a tua explosão
Sou sugada pelos teus desejos
E me entrego a ti desinibida.

Na melodia do samba
Movo o meu corpo
Pra lá e pra cá...
E nesse compasso sou totalmente nula
Porque sou tua.

Dani
Glimmen, 12 de novembro de 2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A falta

Da janela do meu quarto(Glimmen)


Os dias são cheios de tarefas, há sempre qualquer coisa para fazer o que me deixa sem tempo para aquilo que mais admiro na vida - A Escrita. Infelizmente o trabalho e os estudos têm o poder de me distrair...Me falta tempo para me dedicar ao blog, aos pensamentos e as questões que me assaltam todos os dias.
Estou em Glimmen, Holanda onde uma paisagem extraordinária preenche o meu olhar e o meu ser, aqui encontro possibilidades de vir a ser alguém na arte, na escrita e na humanidade. Em nenhum outro lugar me senti como me sinto hoje, certa de que devo escrever sempre e cada vez mais.
Os artistas, pintores e escritores já diziam, na Holanda se pode encontrar uma luz natural que nenhum outro lugar oferece, e isso tenho tido a sorte de comprovar...Todas as manhãs quando saio de casa com destino a escola com a bicicleta posso constatar esse cambio de luzes, as folhas no chão, as ruas e os prados molhados, o cheiro, a chuva que cai, a neblina constante...um sol quase que impenetrável - É a paisagem tipicamente holandesa..um outono belíssimo, visto de casa é inspirador...
Subo as escadas e me vejo escrevendo...Sonhando num futuro como escritora e abrindo a minha mente com destino à liberdade.
Holanda é liberdade, sempre a vi assim e hoje sinto que ela é a minha liberdade porque a sinto assim, uma liberdade no pensamento, uma liberdade de olhar essa paisagem e sentir o desejo de trancrevê-la...Um bicho enorme está dentro de mim e ele grita sempre que olho essa paisagem, ele quer se mostrar ao mundo - e ele é ela...ele é a escrita, uma escrita livre, mas que precisa de sentir, ver, tocar e observar o mundo.
Ninguém é na solidão, nem os solitários se podem dizer solitários absolutos...
A solidão existe quando sinto que devo criar para o mundo, mas depois ela se evapora...vai...
E o bicho grita ainda mais alto, a luz muda, chega o dia que parece noite e o espírito acompanha essa indecisão no tempo...Alguém parece apagar a luz da Holanda e depois brincando, acende e apaga e acende até que se cansa e chega realmente a noite...uma noite cinza, fria onde se sente a amplitude e o infinito do mundo. Isso é Holanda!
E vou descobrindo o meu lugar e vou gostando de ter isso nas mãos e no pensamento...
Quase sem tempo para escrever no blog, mas criando e cada vez mais textos que ambicionam ser mais que simples textos,por isso, a escrita não me deixa nunca.

P.S. Escrevi para desculpar a falta diante dos que costumam visitar esse meu aconchegante lugar...Tenham uma ótima visita no meu blog e esperar nunca é demais...

Glimmen, 06 de novembro de 2008

Danielle Soares

domingo, 28 de setembro de 2008

Desejo para o Tempo

Ilha de Vlieland (Holanda)

Dedico a minha mãe que no dia 17 desse mês cumpriu mais um ano...é o tempo...

É a passagem do tempo, aquele que não deixa possibilidades para escapar e, por isso, insisto em pensar nele e quanto mais penso, mais me aproximo da sua crueldade.
O tempo é meu e eu não quero ser dele, mas ele me prende e me sufoca na sua vastidão infinita.
Te pergunto tempo: Quando deixará de pôr diante da minha razão que és tu o grande senhor do mundo?
Não há fortaleza que te supere nem pedidos que te parem porque és o incontrolável contador de histórias e o porto onde os homens bucam as suas certezas.
Olho para ti e deixo contigo a minha vivência jamais vivida na sua totalidade.
Me jogo na tua indecisão que nada mais é do que a minha própria indecisão.

Tempo de ser mulher, tempo para ser mulher e conhecer no meu corpo o suor que escorre como lágrimas de um homem que lamenta a perda da sua juvenil vivacidade. Me vejo em ti...
Tudo em ti é fuga e quero partir contigo, mas te sinto egoísta, livre e forte, tudo o que o homem pensou um dia ser.
Tempo, aquele que está distante, aquele que jamais poderei guardar comigo, no entanto, tu és aquele que molda o meu corpo e que faz crescer em mim a obsessão por uma liberdade solitária. Mas ao invés de me acolher, tu me rejeitas, talvez, por eu ser a que clama por ti com a dignidade de uma aprendiz da escrita.

Por quê esse querer absurdo ou esse absurdo querer?
Porque sou sonhadora e a vida não é vida sem sonho.
Sonhar é ter nas mãos tudo e se deixar querer mais do que cabe nelas; sonhar é deixar falar a voz silenciosa que se esconde em algum lugar que se encontra não se sabe onde; sonhar é amar o que nunca se viu e nem se verá; sonhar é ouvir uma música e pensar que é simples, que basta ter papel e caneta para lhe fazer completa e plena; sonhar é acreditar que o mundo pertence a uma só pessoa; sonhar é aceitar que tudo se faz quando se encontra a pessoa justa; sonhar é querer ser feliz mais que 24 horas; sonhar é tudo isso e não é nada...
Ser sonhadora é sinônimo de ser humana e ser humana implica ter a consciência de que a vida se cumpre em ti...Tempo...Um tempo que se apresenta diante de mim num mistério indizível e total, que me possui num só abrir e fechar dos olhos, que me marca a pele, deixando-a flácida e marcada pelas rugas que me preenchem a face, no entanto, só me sinto viva em ti. Por isso, como seria se num belo dia, carregado de névoa e quase invisível, tu resolvesse se ausentar?
Será que tu serias egoísta ao ponto de anular tudo?
Tempo, tempo de todos e de ninguém...
Quero por um minuto te sentir inteiro, sem segredos e sem medos, para saber qual a forma mais certa para conceber aquilo que se coloca diante dos meus olhos.

Te suplico tempo, me faz aceitar os teus sinais que chegam na neblina que preenche a paisagem desse lugar cada manhã. Me permita viver uma vida movida pela energia que sai dos meus sonhos e que os meus desejos sejam os teus próprios desejos e que a minha pele possa retratar a leveza estética de uma obra talhada para a sua mais perfeita explosão.
Não me abandone antes do fim, ao contrário, me dê ainda mais tempo antes de lá chegar, para que eu possa mergulhar ainda em ti, sempre e cada vez mais, quero me jogar para ti e me sentir absorvida por aquilo que tu escondes para além do que se pode sentir.

“Ti prego!”, dizem os italianos, e não encontro em outra língua, uma expressão mais forte que esta para suplicar com verdade e necessidade o meu desejo. “Ti prego” – numa forma chorada, (um chorar quase sem fim) que tudo em mim seja um depósito para te receber mais e mais vezes, não importando a ordem, eu só quero que tu possas cair em mim como um casal de namorados que se entrega pela primeira vez ao amor.
- Vem tempo, vem comigo deixar falar a vida carregada de sonhos, baila comigo na multiplicidade e no compasso do vento que marca o ritmo natural das coisas!
Tempo, tempo...Tempo de ninguém é tempo egoísta, porém, dividi-se no Todo;
Tempo, tempo...Tempo fugidio é tempo livre, porém, marca a todos;
Tempo, tempo...Tempo constante é tempo forte, porém, medroso de partir sozinho...

Danielle Soares
Vlieland (Holanda), 20/21 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Finitude

Escrevo a ti ausência perdida
Escrevo para que em ti
Eu encontre saída.

Escrevo a ti presença
Para que no outro
Eu permaneça eterna.

Escrevo a ti Cinderela
Para que na tua fantasia
Eu me conheça verdadeira.

Escrevo a ti natureza
Para que na tua força
Eu me busque guerreira.

Escrevo a ti vida
Para que na tua pluralidade
Eu me sinta forasteira.

Escrevo a ti amor
Para que no teu ápice
Eu me torne beija-flor.
E deixe cair em mim
A juventude que brota
Da icógnita dor.

Escrevo a ti, a ele, a ela
Escrevo a mim e ao mundo
Como forma de aliviar
Essa mísera dor.

Chega beija-flor
Me beija inteira
E leva contigo
O meu desejo de ser Criador.

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Voa, pássaro voa
Me eleva...
Enquanto te observo leve, solto e dono da infinitude.
Te invejo...
Será que te perdes nessa imensidão?
São tantos que Um parece ser Todos.
Não pouses nunca
Porque o mundo é sujo e podre
Continues aí...Distante de nós.
Agradeças, porque esse poder, ainda não te roubamos.
Somos isso: Desejamos o impossível e quando não o conseguimos,
Páramos a te observar...
Voa, pássaro voa
E prometes sempre voltar...

Danielle Soares
Porto, 05 de setembro de 2008

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Avanço nas minhas crenças
Reconheço a sua solidão
E me detenho em suas mãos.
O relógio antigo solidifica o tempo
E as suas palavras proclamam Deus.
Ambiciono a fuga.
A minha e a sua fuga...
Quero doar a você a liberdade de um pássaro.
Mas você prefere a prisão,
A prisão que não é só sua, mas de milhões.
Quero fugir,
Agora, preciso fugir...
Você me agarra e me estabiliza
Estou no chão
Enxergo sobre mim o teto sem manchas e longiquo
Abro os braços replicando Cristo na cruz
Sofro em silêncio.
Olho em sua direção e inicio a compreender a sua dor
A tristeza mergulha no seu corpo
E você busca conforto nas suas palavras que te aproximam de Deus.
Eu ignoro, nada ouço
Permaneço jogada no chão
Com os olhos molhados e os pensamentos despertos
Corpo estabilizado e cansado
Tento sair mas você me paralisa
E o chão permanece meu irmão.

Ouço os seus sussurros:
-É o fim...Fim dos tempos...
Sinto medo dessa proximidade com o nada
Messiânicamente você grita:
-Ele está prestes a chegar!
-Se prepare, é o fim!

Quero fugir e mais uma vez ignoro a sua loucura.
Tudo deixou de ter sentido
Já não há razão.
Como criança faminta você grita
E cada vez mais sou invadida pelo medo e desespero
Intacta e paralisada molho a minha face
Com um choro ansioso por consolo.

Lembro você ainda louco
E ainda preso
E inicio por compreender o desassossego.
Aquele que invade mente e corpo
Que anula o antes, nada existe antes dele.
E por isso precisa cuspir o agora
E vomita a sua doença.
Vomita em excesso
Me causando a estúpida sensação
De que tudo em você é vácuo.
Um saco vazio...
Depois daquele vômito
O louco se tornou um saco de pano vazio.

Danielle Soares
Porto, iniciado a 19/08 e finalizado a 27 de agosto de 2008

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A pureza de uma casa

À minha irmã Naiara que no dia 29 completará 22 anos.Te amo...
A casa se encontra suspensa no ar, dá a sensação de que ela não toca no chão. É acizentada, tem janelas compridas, estreitas e espelhadas. É uma casa totalmente simples, solitária e suspensa para que possa alcançar o céu. Ela parece não ter base na terra, em compensação, está de mãos dadas com o azul infinito.
Estranha sensação...
Agora que a observo, os meus olhos se prendem cada vez mais nela, me dando a leve impressão de que ela também me observa gentilmente. Faz- se neste instante a comunhão entre o meu ser e a casa.
É antiga e protegida por um alto e extenso muro cor da lua. É um cinza marcado pelo tempo que guarda nessa cor a sua passagem pelos séculos. Da mesma forma que essa cor me causa a sensação do passado, do antigo ou do simples passar do tempo, as árvores finas e altas, as plantas e as flores colorem a paisagem e remtem à casa o sinal de vida e de presente.
- Que exuberância! Maravilhosa imagem que os meus sentidos conseguem absorver em mim.
Ela está fora do lugar, fora do espaço, porém, é dotada de autonomia e magnitude tão fortes que chega a anular todos os outros prédios e casas que estão a sua volta.
A casa não é pintada, penso até que nunca foi de outra cor a não ser dessa: cor de cimento, cor da pureza, cor da natureza bruta, cor daquilo que permanece virgem e intacto, cor da inocência e do desejo de vir a ser nossa. É uma casa de poucos porque não são todos os que param minutos a abservá-la para compreendê-la na sua crueza.
Olho as janelas e percebo que os detalhes têm ainda vestígios do verde que outrora foi vivo. E, é nesse exato momento, que chego a compreender que ela está coberta de histórias. Apesar da sua simplicidade e de sua forma discreta de estar no mundo, ela protegeu inúmeros corpos, objetos e camuflou infinitos segredos.
Permaneço parada observando a casa cor de cimento...
- Não, cor de cimento não! É cor da lua, porque ela deve ter o tempo do começo, do início e não o tempo do fim ou da transformação.
Do seu espaço ela preenche os meus olhos curiosos e me causa uma reviravolta no espírito, passo a sentir um forte desejo de fazer dela, unicamente minha.
Me imagino fotografando-a, fotos de todos os ângulos, justamente, para fazer dela a minha certeza do tempo que não cessa. Encaixo a paisagem e mentalmente fotografo essa imagem, eternizando-a em mim...
Os meus sentidos analisam tudo o que dela chega...Não captam nada para além daquele Todo que se resume na cor cinza, ou melhor, na casa cor de prata, cor da lua, melhor ainda, cor de lua prateada.
É dia, o sol está forte o que faz da casa ainda mais viva. É uma beleza extraordinária.
Penso na fotografia e nada mais...Devo ainda retornar aqui para levá-la comigo...
Descobri observando-a, o prazer da fotografia.
* No dia 06/08 fui passar a tarde na casa de uma amiga que há 2 meses se tornou "mamãe". A caminho de sua casa me deparei com a paisagem que descrevo no texto, com a tal "casa cinza" e naquele momento deixei de ouvir o que a Mônica falava e passei a viver a imagem que se apresentava diante dos meus olhos, por isso, não podia deixar de registrar e homenagear tal momento: Rico de beleza e de descoberta. Foi exatamente na Rua Monsanto (Porto).
Danielle Soares,
Porto, 06-07 de agosto de 2008
Nota: Devo lá retornar para fazer uma fotografia e expor aqui...no meu blog...

terça-feira, 22 de julho de 2008



I
A noite está calma
Ouço o barulho do mar
Meus pensamentos mergulham
Naquilo que os meus olhos
Não conseguem captar.
Deixo a noite falar...
- Vem! Diz ela.
- Para onde? Respondo.
- Para a noite que te quer fazer mulher!
Disse-me ela.

II
Maliciosa noite mulher,
Gasta os meus desejos
Acende o meu corpo
Me deixa naufragar nos teus segredos.
Me faz profana e consagra
Minha alma fria e calorosa.
Joga o teu véu escuro
E me guarda na tua maldade bondosa.
Me faz mulher
Me deixa morrer
Com o suco dos teus frutos
Que guardam o gosto do pecado puritano.

Porto, 21 de julho de 2008

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Reconhecimento

O quê poderá acontecer?
Desafio essas letras...
Grito com o que me preenche por dentro.
Guardo meus desejos e meus desassossegos.
Te procuro, onde estás?

Papéis sobrepostos
Livros em desordem
Cds espalhados
Uma taça de vinho diante dos meus olhos...

Fotografias pregadas pelas paredes
Rostos felizes
Parada do tempo
Registros de momentos
Hoje, momentos vazios
Congelados naquelas feições ilusórias.

Passa o tempo
O nosso tempo já foi
Estamos ausentes
De histórias.
Envelhecemos as nossas idéias
Nos escondemos no silêncio.
Escravizados pelo tempo
Vivemos...

Vasculho as gavetas
Cartas jurando amor eterno
Anoitece

Mudo de direção
Guardo o passado
Aguardo o futuro
E piso o presente com os pés descalços
Sinto o solo quente, que machuca os meus pés já calejados.
Recolho a folha que cai

Solitária folha
Folha já morta
Que traz vida aos meus olhos

Vou seguindo
Na noite que chega calorosa
Sinto o ar de tudo tocando o meu rosto
Sorridente
Me jogo nela
Me derreto com ela
Sonho a partir dela
Me fecho para ela.

Te reconheço
Distante de mim
Te vejo a caminho dela
Te deixo ir
Mudaste?

Caminhas lentamente
Roupas largas
Cabelos ao vento
Bela a luz que vem da lua
Minhas pernas querem te seguir

Mas não, tu já não és o que conheci
Fico onde estou.
Permaneço ali, naquele canto pouco notável.
Escrevendo os meus delírios
E retirando da loucura
A real certeza de ser humana.

Porto, 18 de julho de 2008