O amor retornado reabre um passado
Enconberto em loucuras fantasiosas e melódicas,
Que há muito não sentia.
A minha mente está cheia de ti
E os meus olhos se cansam da tua presença invisível.
E os meus desejos são unicamente teus...
Pressinto a tua volta e já me dou como morta
Anjo caído diante de mim
Notas musicais soltas entoam do teu canto,
Fazendo desse espaço o teu apogeu
E como serva, bebo e trago a tua veracidade...
E como mulher deixo a minha sobriedade
Holanda,21 de janeiro de 2010.
O ser não é senão memória... Não sou somente este corpo que agora escreve,sou a mente pela qual penso,reflito,sinto,sonho e rememoro o meu minuto agora já passado. Dessa forma vou me concretizando no tempo e no espaço...
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Quando o adeus está próximo
O meu esconderijo.
É quase chegada a hora de dizer adeus e nessa atmosfera invernal esse adeus aparenta ser mais duradouro e doloroso.
Quero fugir dele, não vivê-lo, não enxergá-lo no momento em que chega, não quero experimentá-lo uma vez mais...Mas ele surge, e devorando os meus pensamentos o sinto bem mais forte que eu.
As lágrimas que caem servem para esquentar a minha face gelada e os abraços que vou recebendo a medida que vejo pessoas queridas pela última vez, aquecem o meu corpo frio e os olhares dos que me são fonte de existência me possibilitam olhar para horizintes não meus, vidas não minhas e para os meus sonhos ateus...
Danielle Soares
Porto, 21 de Dezembro de 2009
domingo, 3 de janeiro de 2010
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Vida
Buscar um sentido, acreditar que há qualquer coisa que nos torna capazes de compreender a nossa existência, com sucessivos acontecimentos e aparições que nos deixam vivos.
Buscar um mais escondido no nosso íntimo, que de tão íntimo parece fugaz.
Dizer que estamos vivos com a graça de uma criança que correndo, saltando e gritando se concebe poderosa como os super-heróis.
Que cada um saiba guiar os seus anseios, disso não guardo receios
Que o mundo está cheio, disso não tenho medo
Que a vida é um total imperfeito, que seja…
Porque nela quero a fantasia mais louca e beijar a boca dos que dizem coisas bobas
E dançar com passos lentos e me embriagar de veneno no meu quarto pequeno
É dois pra lá e dois pra cá me dita a vida…E louca me entrego mais e mais a ela…
E mergulho fundo,
E quando surjo despida ela me pega, me dá um banho de água fria, me coloca a roupa mais bonita me fazendo sentir divina.
E dita a vida:
É dois pra lá e dois pra cá e nela beijo a boca dos que não são meus…
Danielle Soares,
Porto, 23 de Dezembro de 2009
Buscar um mais escondido no nosso íntimo, que de tão íntimo parece fugaz.
Dizer que estamos vivos com a graça de uma criança que correndo, saltando e gritando se concebe poderosa como os super-heróis.
Que cada um saiba guiar os seus anseios, disso não guardo receios
Que o mundo está cheio, disso não tenho medo
Que a vida é um total imperfeito, que seja…
Porque nela quero a fantasia mais louca e beijar a boca dos que dizem coisas bobas
E dançar com passos lentos e me embriagar de veneno no meu quarto pequeno
É dois pra lá e dois pra cá me dita a vida…E louca me entrego mais e mais a ela…
E mergulho fundo,
E quando surjo despida ela me pega, me dá um banho de água fria, me coloca a roupa mais bonita me fazendo sentir divina.
E dita a vida:
É dois pra lá e dois pra cá e nela beijo a boca dos que não são meus…
Danielle Soares,
Porto, 23 de Dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
O rastro dos dias
A impressão que tenho é que os dias estão impacientes e passam numa fração de segundos. Eu tento olhar para eles e reconhecê-los, mas eles voam como se nada importasse a minha existência.
Neles eu caminho numa calma que talvez os ofenda e neles me sinto tão pequena...
Acontecimentos acontecem, pessoas se aborrecem e neles nada perece
O bem e o mal se cruzam e conversam como dois velhos amigos
O bem diz ao mal, quão é terrível o interior dos homens
O mal responde: - Coloque-os a prova e compreenderá o quanto é vazio o riso dos seus!
Pobreza, fome e violência. Corpo subnutrido e Espírito reprimível...
Maldade que atravessa a natureza humana de tal modo que já não é possível reconhecer a retidão dos seres.
A luta pela sobrevivência é posta a mesa
A luta de braços deixou de ser uma brincadeira da infância e tomou lugar na minha insônia.
E nas longas horas que passo na escuridão do meu quarto esperando que o sono me assalte, coloco a prova a minha humanidade diante de tanta falta de sentido naquilo que vejo, sinto e ouço nos dias que passam tão velozes...
E ali, naquele silêncio enlouquecedor ofereço-me aos raios que sobraram dos dias como se eles pudessem me retirar desse incômodo pensamento de que os humanos apodrecem...
Danielle Soares
Porto, 17 de Dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Desilusão
Que vontade de escrever, dizer ou berrar um PALAVRÃO.
Abri hoje o meu blog com uma vontade tremenda de finalizar um texto que penso nele já há alguns anos, inspirada por essa atmosfera natalícia e por essa constatação de que un ano está indo e outro vindo, ontem dediquei quase todo o meu dia escrevendo e buscando as palavras acertadas para descrever o modo que hoje sinto e vivo o Natal...Mas, talvez os deuses e santos não querem saber das minhas impressões e acharam melhor eu estar na minha e continuar expectante...
Que vontade de abrir esse computador e encontrar o meu texto que tanto estava gostando de cosntruir....Ai que vontade de berrar um PALAVRÃO...Odeio essa sensação de impotência diante dessa tela ... Mas se eu gritar aqui, nessa biblioteca fechada e silenciosa, coitada de mim, farei um papel tão ridículo que dificilmente voltaria a pôr os pés aqui. Imagina, eu soltando um PALAVRÃO bem caprichado, que eu nem sei qual seria, e todas as pessoas me olhando assustadas e admiradas, uns rindo e outros pensando: "Coitada tão nova e já doida!"...Que vontade de rir sozinha...Até acabei esquecendo o motivo pelo qual escrevo essas palavras desajeitadas e revoltadas...
Tudo bem, fica aqui o meu protesto e a minha raiva ... Não sei para quem vai essa revolta e decepção...
Só sei que quero o meu texto porque inspiração como a de ontem...talvez...nunca mais....P...Q...P...
Abri hoje o meu blog com uma vontade tremenda de finalizar um texto que penso nele já há alguns anos, inspirada por essa atmosfera natalícia e por essa constatação de que un ano está indo e outro vindo, ontem dediquei quase todo o meu dia escrevendo e buscando as palavras acertadas para descrever o modo que hoje sinto e vivo o Natal...Mas, talvez os deuses e santos não querem saber das minhas impressões e acharam melhor eu estar na minha e continuar expectante...
Que vontade de abrir esse computador e encontrar o meu texto que tanto estava gostando de cosntruir....Ai que vontade de berrar um PALAVRÃO...Odeio essa sensação de impotência diante dessa tela ... Mas se eu gritar aqui, nessa biblioteca fechada e silenciosa, coitada de mim, farei um papel tão ridículo que dificilmente voltaria a pôr os pés aqui. Imagina, eu soltando um PALAVRÃO bem caprichado, que eu nem sei qual seria, e todas as pessoas me olhando assustadas e admiradas, uns rindo e outros pensando: "Coitada tão nova e já doida!"...Que vontade de rir sozinha...Até acabei esquecendo o motivo pelo qual escrevo essas palavras desajeitadas e revoltadas...
Tudo bem, fica aqui o meu protesto e a minha raiva ... Não sei para quem vai essa revolta e decepção...
Só sei que quero o meu texto porque inspiração como a de ontem...talvez...nunca mais....P...Q...P...
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
O que me traz...Noite o que me traz?
É noite, noite curta e dourada, preenchida por uma solidificação desesperada
É noite curta que se preenche na claridade que escapa dos meus olhos enraizados nessa espera absurda do nada.
É curta a noite, mas em mim ela dura, dura o tempo que ainda não tenho vivido, dura a espera ansiosa pelo amado, dura como um dia cinzo , chuvoso e frio.
Essa noite curta, dura o tempo do pensamento, que não é mensurável
*********************************************************************************Saudade...
É ela quem me invade
Saudade que me engole sem dentadas
Saudade de algo que fiquei por acabar
Saudade de um lugar que não estive
Saudade de pessoas que me conhecem até o último fio de cabelo
Saudade de uma música não tocada ou de simplesmente uma nota que ficou por ser notada
Saudade de uma árvore ainda não plantada
De uma planta sem cheiro
Saudade de olhar aquele pássaro que sonho em ser
Saudade de uma mania
Saudade…é o que me traz agonia
Saudade…
De tudo aquilo que ainda não fui
E de nada que poderei ser
Saudade que me faz sentir viva
Que me deixa preguiçosa num dia de sol
Saudade que me cega a alma inteira
Ó saudade sem fim…
Vem até mim e me traz tudo aquilo que deixei de sentir...
Danielle Soares, Glimmen (NL) 17 de Abril de 2009 - Um belo dia de Primavera...
terça-feira, 17 de novembro de 2009
A ti que segues sem os meus abraços,
Sem os meus passos guardados nos teus espaços,
A ti que um dia não vivia sem mim,
Guarda a pequena e vaga memória do olhar que dispensei para ti.
Por onde andas que já não encontro os teus rastros?
Com quem vais?
Deixei de te pertencer sem entender
Desejei voar sem notar a falta que isso me traz
Meus cabelos assanhados esperam pelas tuas mãos, anjo dourado...
Minha vida pacata aguarda as nossas mãos dadas, unidas pelo sabor do Alvorada.
Aonde vais que já não retornas?
Cavaleiro errante, misterioso e bondoso
Quem levas nos teus encantos, um dia saboreados por mim?
Danielle Soares
Porto, 17 de Novembro de 2009
Sem os meus passos guardados nos teus espaços,
A ti que um dia não vivia sem mim,
Guarda a pequena e vaga memória do olhar que dispensei para ti.
Por onde andas que já não encontro os teus rastros?
Com quem vais?
Deixei de te pertencer sem entender
Desejei voar sem notar a falta que isso me traz
Meus cabelos assanhados esperam pelas tuas mãos, anjo dourado...
Minha vida pacata aguarda as nossas mãos dadas, unidas pelo sabor do Alvorada.
Aonde vais que já não retornas?
Cavaleiro errante, misterioso e bondoso
Quem levas nos teus encantos, um dia saboreados por mim?
Danielle Soares
Porto, 17 de Novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Tristeza
O meu desejo é que tudo jaz
Meu medo é que tu vás
Meu drama é que desperto
No silêncio daquele que se desfaz.
Corpos engolidos pelo trem que os transportaria ao futuro
Foi o mesmo trem que os deixou em pedaços, como comidos por bichos ferozes
Observo os seus corpos…
Pedaços de carnes, ensanguentadas, presas entre as pedras e os trilhos.
Curiosos se aproximam, pessoas passam mal, outras não piscam os olhos como se fosse pecado perder qualquer segundo que fosse, algumas passam por ali mas nem sequer viram o pescoço para olhar o que realmente acontece. Na verdade sabem, mas não querem compactuar com a crueldade dos fatos.
Esse agora é indecifrável e me aterroriza…
Dois jovens, casal de namorados que pela primeira vez iriam passar um fim-de-semana fora. Imagino que este seria o grande evento da vida de ambos, e nos meus pensamentos chego a vê-los traçando os planos da viagem, olhando o mapa do lugar que continua desconhecido e os vejo felizes, mesmo que, eu nunca os tivesse visto realmente, a não ser agora, nesse amontoado de carnes que choram a sua triste sorte… Olho para tudo isso e não vejo ninguém…
Decido ir embora, deixo aquele lugar com os olhos molhados e os levo comigo na memória.
Não suportaria presenciar a chegada dos familiares, quando ouvi entre a gente que os pais estavam próximos, partir… E, mesmo assim, enquanto caminhava lentamente ainda próximo do local, ouvi gritos, choros e perguntas que se resumiam no “Por que de ter acontecido isto?”
Ainda hoje repito essa mesma pergunta e continuo no vazio que ela mesma me coloca…
*Texto inspirado no suicídio de Robert Enke (1977- *2009)
Escrevi este texto como forma de homenagear o goleiro alemão Robert Enke (de 32 anos de idade) que no dia 10/11/09 se suicidou após um longo período (6 anos) de depressão. Acredito que a capacidade de escrever me permite traçar as questões que me assaltam de um modo criativo. Criando, posso expressar as minhas revoltas e também as minhas alegrias, nesse caso, deixo aqui a minha tristeza e o meu luto.
Danielle Soares, Porto, 14 de Novembro de 2009
Abro espaço para uma reflexão acerca da trágica morte do goleiro alemão Robert Enke de 32 anos de idade, que na última terça-feira (10/11/09) decidiu ou foi levado a pôr fim à sua própria vida. Não sou uma pessoa que lida bem com a morte quando ela envolve o outro, porque não consigo ser conformista nesta questão, e acredito que é natural de todos os seres humanos essa luta constante contra a consciência de que no fim acabaremos todos por morrer…Confesso que esse tema para mim é dos mais terríveis porque sempre fui assaltada pela ideia de terror que provém do ser morto, me lembro que desde muito cedo sinto um certo calafrio quando sei da notícia de que alguém morreu ou foi assassinado ou resolveu acabar consigo próprio. A morte é no sentido geral o fim dos seres mortais, ela nos deixa a total certeza de que caminhamos para ela, de forma paciente ele aguarda por cada um de nós e é exatamente neste ponto que me coloco inconformada e desajeitada diante dela…
Ao saber do suicídio de Robert Enke pela televisão, me senti totalmente triste e iniciei a pensar na sua vida, que pouco conhecia, como se assim, eu fosse capaz de sentir a sua tristeza, os seus medos e a sua fragilidade, pois afinal de contas, visto de fora, ele tinha bons motivos para se querer vivo. Consoante isso, empreendi uma pesquisa a respeito de sua vida para que eu pudesse deixar a minha homenagem já que desde então, não paro de imaginá-lo, o que resulta em mim uma sensação de tristeza. Talvez por gostar muito de futebol e também por não saber lidar com a tragicidade da morte que exponho no meu espaço algumas linhas dedicadas a este jogador que será sempre lembrado pelos que compartilharam e vivenciaram os seus melhores momentos, bem como, os seus momentos mais frágeis. Não foi a minha intenção expor dados concretos de sua vida profissional, familiar e social, mas sim, uma tentativa de participar nos seus medos e na sua triste decisão de anular-se. Por saber que o nosso limite é justamente as emoções do outro que deixei a minha fantasia livre para trihar os seus caminhos...
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