quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Homenagem aos dias

Justificativa por ter escrito este singelo texto: Lembro como se fosse hoje o dia em que abri a janela de casa e me deparei com uma paisagem completamente cinza. Morávamos ainda em Espinho e naquela altura eu trabalhava na Junta de Freguesia da cidade com vendas de quadros e esculturas. Na medida em que sentia aquela paisagem vinha em minha memória o dia de ontem onde o sol raiava e as pessoas estavam completamente mais entregues ao dia de calor. Na verdade, Espinho é sempre mais bonita quando vem o verão e sentir aquele nevoeiro em setembro de 2004 foi um choque porque estavámos já habituados aos dias claros. Mas, sem ninguém esperar eis que chega o primeiro dia de outono e foi no Café Palácio que escrevi o meu singelo texto.
Hoje o sol não apareceu, nem para o "bom dia" do verão quente.
Lembro que no dia anterior ele brilhava incessantemente
E na minha face sentia a sua força a palpitar,
Mas hoje não sentir o seu calor, tampoco, a sua dor em minhas costas.
Simplesmente porque hoje o outono surge entre nevoeiros misteriosos.
Sinto-me convidada à grande festa dos segredos temporais...
Os carros passam embaçados
As pessoas fecham-se em grossos casacos
Os cafés contentes sentem que agora são eles o refúgio humanitário
As camas não nos deixam sair,
Elas também querem voltar a sentir o calor de ontem.
Pobres humanos...A todo custo procuram acalentar a alma!
Mal sabem que ela é fria, misteriosa e fugidia.
Que dia o de hoje, o de ontem e o que ainda não foi...
Todos procuramos estar com eles, mas eles fogem, para no dia seguinte
Surgirem...
Aparecem e desaparecem e neste jogo dos mistérios envelhecemos
Modificamos as nossas faces e os nossos corpos
O espírito se enche de saudades de dias passados.
Eles são mais velhos que nós,
No entanto, renovam-se e ressurgem ainda mais belos,
Imluminados, cinzentos, leves,pesados, curtos e longos -
É a multiplicidade do Cosmos diante de nossos olhos.
Viva à dança do olhar e do sentir humano
Viva ao morrer do dia, pois, como Cristo ele também ressuscitará!
Danielle
Espinho, setembro de 2004.

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